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sexta-feira, junho 30, 2006 

Quando teremos paz?

Vivemos há dois meses em situação de conflito grave; o país está praticamente paralisado à espera de uma saída da qual possa resultar o retorno à tranquilidade. E já quase ninguém se lembra da razão inicial desta crise.
Reinado, Salsinha, distribuição de armamento, crise militar, tudo isso são imagens enevoadas na vida do comum da população timorense. Perdeu-se a rotina de uma vida simples, no ramerrão casa, trabalho, missa dominical, convívio familiar, mercado, luta de galo. Deitar cedo e cedo erguer. Perdeu-se o sossego. Ganhou-se medo, insegurança.
Embora as forças internacionais patrulhem a cidade de ponta a ponta, os distúrbios continuam a marcar o quotidiano da capital.
É certo que não se verificam muitos incidentes nas ruas principais, mais rasgadas, melhor delineadas. Aí, é mais fácil aos veículos militares circular.
O problema reside nos emaranhados bairros populares, de construção indonésia, com casas encostadas umas às outras e com ruas tão estreitas que é necessário recuar se surgir um carro em sentido contrário. Mas o rebuliço também está presente nos bairros cujas casas surgem do nada, isoladas, perdidas entre os extensos campos de bananas ou de outro tipo de denso arvoredo à mercê de desordeiros que aí se escondem quando passa a patrulha militar.
A maior parte dos habitantes desses bairros encontra-se refugiada nos campos de acolhimento. As suas casas desabitadas são alvo fácil para o saque e posterior incêndio.
Há quem confesse ter medo mas se recuse a deixar para trás os seus bens.
Não querem perder pela terceira vez – recordam os anos de 1975, 1999 e, agora, em 2006 - o que foram sacrificadamente construindo uma vez após outra. Estão cansados de fugir, de recomeçar.
S., uma professora viúva natural de Lospalos, está refugiada na Catedral. Em curta mensagem, S. dá conta do ocorrido. Primeiro roubaram-lhe os móveis, hoje terminaram a obra incendiando-lhe a habitação.
N., natural de Same, está muito assustado mas nega-se a sair de casa; tem uma família numerosa à qual se acrescentam inúmeros afilhados vindos da sua região, a quem N. paga os estudos. A sua casa situa-se entre outras de habitantes de Lorosae. E vai dizendo “Se saio, incendeiam-me a casa. Para onde levo a minha família? Só que eu moro numa zona complicada…”
M. é de Díli. Vive numa zona onde se cruzam tiros esporádicos e pedradas atiradas vezes sem conta por grupos rivais. Resolveu refugiar-se na Catedral. Entrou em depressão. E vai desabafando que “roubem o que quiserem mas não queimem. Custa muito reconstruir tudo de novo…”
B. é natural da ilha de Ataúro. Refugiou-se no porto e, quando achou que a situação estava controlada, voltou com a família para casa. Com a repetição de cenas diárias de tumultos, gritos, pedradas, correrias, B. sofreu um ataque cardíaco. Está internado há mais de uma semana no hospital nacional.
D., de Tíbar, a quem assaltaram e esvaziaram a casa pobre, suspira num desabafo: até o cão me levaram!
Muitos contraíram empréstimo bancário para o arranjo das suas casas.
Todos têm famílias extensas a seu cargo. São os filhos, os genros, noras, netos, afilhados, os avós… gente simples, gente sofrida. Passaram pelos conflitos de 1975 e de 1999. Todos comungavam da esperança de que a paz e a estabilidade se tornariam uma certeza duradoura no Timor independente pelo qual lutaram com coragem. Hoje, estão assustados, descrentes e desiludidos. Nenhum deles quer a discórdia. Todos apostam na paz. Só que já ninguém se atreve a vaticinar uma data para o retorno à paz ansiada…

Ângela, o Mundo tem de conquistar o Amor e ele faz parte do crescimento humano no Mundo.

CARTA DO MUNDO

QUAL SERÁ O SEU PRESENTE?


Abrindo o Diário para registar
O dia de hoje passado,
Vimos pouco ou nada de amar
E o muito que se havia estragado.

Tumultos e pouca serenidade
Em tudo o que se passou,
A televisão se agiganta
Com as mortes que o ódio levou.
O mundo teme frágil
Doenças que ele próprio inventou,
Enquanto a alma dormia
Um sonho fácil o enganou.

Líderes contado famintos,
Cadeiras aquecem na inacção,
Poderes registam os números,
Os seres se revoltam por qualquer razão.
Os olhos de lágrimas se enchem
Enquanto a dor conquista o Mundo.

Onde a terapia da serenidade
Para finalizar este sofrimento imundo
Conduzido em garras de egoísmo
Alimentado por esfaimado orgulho?

Jaz em forma de diamante
No seio de todos e de um,
À espera do burilar constante
Do esforço e da reforma comum.
De uma vontade de ferro
Em conquistar a DOR,
Em devolver à mãe Terra
O seu estatuto de AMOR,

E o mundo
Pegou no lápis
porque lhe apetecia escrever.
Registar num momento
o que era viver.
Era uma dor
que o fazia tremer.
O coração ardia,
e o lápis escrevia...

É bom ter um amigo
nem que seja, o lápis.
É bom poder escrever
para simplesmente dizer
que quer seja noite ou dia
a dor imensa, persistia
na guerra que se faz,
tanta fome presente,
é difícil, a paz
e a pobreza não mente.

Qual será o presente?

Corações amputados,
pela solidão, cercados.
Momento cheio
de companhia vazia,
no fundo, de verdade,
o mundo tudo sentia!!!

Que escolheria?

Acabaria
a tristeza, a apatia.
Certezas?, teria.
De momento, mais nada,
A alma, tão vazia!

Só ele e o lápis,
o sol;
o dia;
a desilusão a crescer;
com as entranhas a arder;
a ferida que doía,
a lágrima que não vertia.

Qual a alegria?

O lápis hesita,
a mão persiste.
A dor aumenta,
o coração atormenta.
Enquanto o sol aquece
a mente vagueia,
dá ordens ao lápis
que pelo papel passeia.

Quem o presenteia?

É um todo, redondo
de dor,
tormento,
calor,
imundo sofrimento,
vendo-o,
sem tento!!!

Quando o momento?

Só queria chorar
mas não conseguia,
é que já sabia
o que se dizia:

Foi desarmado
por lugares comuns,
no mais comum
dos lugares,
onde ninguém mais
é, como foi.
– Amado.

Qual o achado?

O Amor e a amizade,
só isso bastava.
E sim, chorar,
mas só porque sentia
que o mundo,
afinal, também sorria...

Quando o abriria?

Não é um pesadelo,
é bem mais que um sonho,
é a autêntica realidade!!!
Gostaria de chorar
em grande quantidade,
lavar a ferida,
salvar a amizade,
matar a solidão,
sorrir com qualidade,
acabar a confusão,
e meter o teu presente,
bem fundo,
nas entranhas do seu Mundo.

Qual a novidade?

O lápis perguntou:
_ Já posso parar?
Ele respondeu,
quase a chorar:
_ Por favor, nem pensar!
Vê o coração,
estou quase a lá tocar,
reconhece a dor de amar,
sente a solidão,
a vontade de abraçar.

O lápis não hesitou,
respondeu também e ditou:
_ Se amigo sou,
Vai continuar a usar
até ao desembrulhar.

Quando é que aqui vai estar?

Se chegar, o Presente,
esta gente,
já sente.
Na guerra que se faz,
veremos a paz.

E se não for o todo
que seja a parte,
ou aquele pouco do nada
que dá luz, calor;
se espalha
e, sem fim,
se reproduz.

Logo que alguém o trouxer
o pacote irá conquistar,
aquilo que na época
se ouve apregoar,
e enfim devolver:
O conforto de um manto,
ao frio que gela.
O repasto inesperado,
à fome que esgana.
Um sorriso de alegria,
à lágrima vertida.
Um obrigado sincero,
sem desprezo pelo outro.
Uma palavra humilde,
a um gesto de escárnio.
O brilho de luz,
à noite de breu.
As penas macias,
ao leito de pedra.

_ A encomenda chegou:
E trouxe
O AMOR!
Cristina Brandão Lavender

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