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quinta-feira, setembro 14, 2006 

Honra e Justiça

Há conceitos de um valor incalculável em Timor-Leste, como a palavra, a dignidade, a honra e a justiça. As falhas relativas ao incumprimento de palavra dada, à desonra, ao desrespeito pela dignidade, à injustiça não têm perdão. Castiga-se. Para que o castigo lave a culpa e a vida possa retomar o seu ciclo. Recomeçar e olhar a vida em frente, exige transparência, alma lavada, sem sombra, sem mancha de males antigos.
Há muito, muito tempo, quando Timor era uma colónia portuguesa e mesmo depois de ter sido pomposamente baptizada de província ultramarina, aos administradores de posto deparavam-se-lhes por vezes algumas situações melindrosas de resolução complexa.
Conta-se que, em determinado posto administrativo, lá bem para o interior da zona montanhosa em que as tradições e os costumes estavam mais arreigados – ali, onde fica o que ainda hoje, em boa verdade, se pode chamar de Timor profundo -, apareceu um dia, manhãzinha cedo, um homem que trazia num açafate algo volumoso, bem coberto com um tais, presumivelmente para escapar à curiosidade popular.
Chegado defronte da casa senhorial, o homem ordenou ao empregado que fosse chamar o sr. administrador. Antes, porém, à guisa de cartão de visita, destapou o açafate, deixando bem visível uma cabeça humana.
Oh!, pernas para que te quero!, safou-se o empregado para dentro de casa! Entregue em surdina o recado a que não faltou a descrição da assustadora e macabra visão da cabeça assim posta, sem corpo, o perturbado empregado deixou-se ficar especado, esperando que o sr. administrador, homem experimentado e conhecedor de muitas histórias do mesmo estilo, terminasse o café e o nutritivo “mata-bicho” de ovos estrelados, frango frito e arroz salteado em cebola (a que aqui se chama “eto fila”) tomado na companhia da mulher, dos filhos e de um malai que ali estava de visita e se dirigisse à varanda para receber o visitante com tão insólita prenda…
E assim foi. Saíram para a dita varanda, o administrador, a mulher, os filhos e o malai. O açafate fora colocado no chão, aos pés do administrador. Dali, a visão era ainda mais aterradora. A cabeça pertencia a um homem, jovem, com os olhos desmesuradamente abertos fixos no nada, a boca aberta de surpresa, o pescoço ensanguentado…
E o montanhês falou. Com voz calma. Sem se tomar ares de herói nem de bandido. No seu modo simples, enfrentando o máximo representante local do poder colonial, explicou ao que ia.
- Sr. administrador. Este homem meteu-se com a minha mulher. Sujou a minha casa, o meu nome, a minha honra. Eu não podia perdoar. Tinha de repor a minha honra, a da minha mulher e a da minha casa. Por isso o matei. Fiz justiça. Estou aqui para me entregar e para que o senhor me prenda. Faça o senhor também justiça!

ola angela.aconteceu uma caso desses,quando eu estava em basar tete um dia de manhã no ano de 1965 +ou menos nos meses de maio ou junho quando estava na escola com os alunos vimos passar um timorense acompanhado pelos sipaios de basar tete todo sujo de sangue. As crianças da escola me disseram que ele tinha aniquilado tres membros do suco por questões de pagamento de barlak, fiquei a pensar.....passados dias sei que foi levado para dili o que aconteceu na justiça ao homem não sei.outro caso em ossu quando chefiava o unimog do correio em baucau embarcou um sipaio com um timorense que ia para dili ser entregue ao tribunal o sipaio levava uma catana embrulhada em papel e tinha escrito numa etiqueta a seguinte frase (arma com que foi cometido o crime) isso tenho conhecimento que acontecia em timor .Nas em todo o mundo acontecem coisas dessas.penso que em timor era para lavar a honra,mas no mundo é para roubos..... adeus ate amanhã manu fuik na costa da caparica (besik tasi ibun )

São saborosos esses episódios que relatas, Ângela.

anfjsafa

Nos conceitos de valor incalculável em Timor-Leste também faz parte a TRAIÇÃO e a INGRATIDÃO

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