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quinta-feira, agosto 31, 2006 

Casa roubada, trancas à porta...

Estamos agora vivendo um frenesi de segurança, de autêntica caça ao homem! Lá diz o ditado que “casa roubada, trancas à porta”…
Ao entardecer, os helicópteros militares voaram bastante tempo sobre o bairro, ora andando às voltas, ora parecendo planar por cima das colinas onde dizem que foram vistos dois homens fardados com mochilas às costas. Imaginação ou não, o alvitre mais comum foi o de que talvez fossem os passeantes de Bécora. Acrescento eu que durante todo este tempo de presença das tropas internacionais, se avistavam do bairro, vezes sem conta, homens fardados de camuflado junto do antigo depósito de água. Sempre pensei que fossem do contingente malaio.
Deviam ser 14h30 quando soou um estampido solitário. Pode ter sido um tiro no que foi uma ocorrência sem repetição. Mais tarde, já o sol se havia posto há muito por detrás das montanhas, quando se ouviu nova sessão de tiros. E de novo os helicópteros surgiram. Luzes vermelhas, voando baixo junto às colinas…Intuí que os tais dois homens não haviam sido ainda localizados.
As aldeias 30 de Agosto e 4 de Setembro situam-se bem próximo de umas colinas descarnadas que as rodeiam em três terços de um abraço. A vegetação é rasteira e a terra castanha, com mato do mesmo tom, agora que estamos em plena época seca.
As aldeias fazem parte do Suco de Malinamoc, Comoro, e distam do centro da cidade, precisamente 7 quilómetros.
A prisão de Bécora fica exactamente do lado oposto da cidade, poucas dezenas de quilómetros mais.
Às 15 horas de ontem, saíram das respectivas celas 57 homens em passo de relaxada caminhada.
Os timorenses são um povo andarilho, de pé ligeiro, calcorreiam e atravessam montes e vales em três tempos. Duvido, pois, seriamente que os passeantes em férias de Bécora tenham levado 24 longas horas a atravessar a cidade para se “esconderem” precisamente nas montanhas quase desérticas de Malinamoc, na mesma zona onde -talvez um mal medido quilómetro mais abaixo -, junto à estrada do aeroporto estão colocadas centenas de elementos das forças australianas! Parece-me demasiada desfaçatez!
Diz o comandante australiano que sabe onde eles estão. Por sua vez, o ministro neo-zelandês da Defesa afirma que as suas tropas não eram responsáveis pela segurança da prisão, negando que daí se tenham retirado há uns dias.
Finalmente, o ministro timorense da Justiça defende-se referindo total ignorância da situação, e contrapõe que os neo-zelandeses não avisaram o Governo de que iriam deixar de guardar a prisão… há uma semana. Soará a demasiada ingenuidade perguntar se o ministro da Justiça andava distraído, ou em reuniões constantes, ou a apanhar o ar da montanha ou a banhar-se na praia, ou, ou, ou… e se esqueceu de que havia uma prisão em Bécora que deveria estar guardada?
Está-me cá a parecer que a culpa vai morrer solteira… Mas, se realmente assim é, então a coisa é bem pior do que se imaginava. Parece estar tudo perdido. Pior, estamos todos perdidos!
Que nos resta? Nada?
Talvez não nos sobre outra solução excepto clamar por ajuda de entidades de um outro mundo oculto como os rai nain, os lulik, os matebian que olhem por esta “rai doben”* de Timor e completar a súplica erguendo as mãos aos céus redobrando o apelo de há dias por uma outra qualquer razão: que Deus nos acuda!

*Rai doben – terra amada

ola angela.Estive a ler seu comentario.até amanhã

Angela, Pausa... - Estou pasmada... Pausa - ainda não fechei a boca, Pausa...
Decidi que sim, temos mesmo que acreditar! Vou continuar a sonhar...
31 de Agosto de 2006
Cristina Brandão Lavender

Acordei - Sonhei que marquei um encontro com Jesus:

Um minuto com Jesus

Marcar na agenda da vida
Um simples minuto com Jesus.
Preparar o encontro com minúcia,
Fazendo jus àquele grande momento.

Primeiro render-se à beleza,
Absorver todos os segundos de energia,
Beijar-lhe as mãos com a certeza
De que nelas colocava o que se pedia.

E, em silêncio de ouro, se prostrava,
Deixando-O ler sua mente agitada
Como quem interpreta um tratado,

Em que se abraçava toda a gente,
Pois era sua alma sofredora
O espelho da humanidade que sente.

31 de Agosto de 2006
Cristina Brandão Lavender

Leio a tua crónica com assiduidade. O que relatas faz lembrar o ritmo do caranguejo...com persistência...a coisa lá há-de ir...mas faz pena que a vida do vosso país continue a desgastar-se com episódios tão escusáveis.

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