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domingo, setembro 24, 2006 

Animais nossos amigos


Manhã cedo, meio-dia, crepúsculo ou noite fechada, soa um grito desconhecido que irrompe do nada: toké, toké, toké! É assim a qualquer hora do dia, na cidade como no campo, que se ouve o som algo estranho, diferente, que surpreende quem visita o país pela primeira vez. Mas, rapidamente o dono da “voz” passa a fazer parte dos hábitos de coabitação pacífica entre o homem e o bicho. É o toké, lagarto de cores variegadas, cujo sonoro e repetido toké, esganiçado quando o bicho é novo e grave e rouco se é mais velho, lhe dá o nome.
Com um aspecto físico nada atraente, o toké mais parece um animal pré-histórico em miniatura, chegando a medir, quando adulto, talvez entre uns 15 e os 20 centímetros.
Diz a imaginação popular que casa onde haja toké, é casa afortunada e, de tão vulgar e tão inofensivo, o melhor é acostumarmo-nos à sua presença, até porque o toké não só não pede licença para entrar e ficar, partilhando o nosso espaço, como é um bicho de reconhecida utilidade porque se alimenta de insectos, moscas e mosquitos incluídos.
Com ventosas nas patas, o toké passeia-se pelas paredes e pelos tectos das salas e das varandas, sempre pronto a apanhar o insecto distraído que tem a desdita de se pôr ao jeito da sua língua esticada.
Mas o toké não é apenas animal de interior. O bicho gosta de se camuflar por entre a folhagem e nas pregas dos largos troncos de árvores de grande porte como os gondoeiros ou os tamarindeiros, onde abundam insectos aí se alimentando fácil e fartamente, tornando-se gordo e… feio, muito feio!
O bicho inspira alguma antipatia mesclada de respeito! Porque, sendo embora um animal vulgar e para além dos conhecidos atributos na eliminação de insectos, há os que crêem ver nele algo de misterioso e há também quem defenda que tem qualidades curativas, servindo de remédio para certas doenças de que se dá como exemplo a asma.
Por exemplo, afiançava um conceituado katuas que a filha, doente de asma desde tenra idade, se havia curado definitivamente da doença. E explicava como:Toma-se o toké que, depois de morto a preceito e limpo de peles, deve ser cuidadosamente torrado em lume brando, para não queimar. De seguida, reduz-se a pó. Mistura-se com água e ingere-se.
Outra senhora garantia o mesmo efeito e dava a receita utilizada pela sua mãe, conhecida e reputada curandeira do bairro onde morava em tempos idos:
Mate-se o toké. Limpe-se de vísceras, e retire-se-lhe a pele, as patas e a cabeça. Coloca-se numa panela com água e tempera-se a gosto. Deixa-se ferver durante algum tempo, até a carne ficar quase desfeita. Pode acrescentar-se um bocado de arroz. Serve-se a canja bem quente.
E acrescentava convicta a senhora: sabe a galinha!
Pormenor importante: Esta receita só dará resultado se a doente não tiver conhecimento do que está a comer.
Pudera!, acrescentaria eu. Só mesmo dessa forma! Tenho a sorte de não padecer de asma, mas se sofresse e se tivesse de ser tratada com semelhante mezinha, dela tendo prévio conhecimento, tenho cá para mim que morreria da cura em vez da doença! Brrrrr…


3 comments

Oi Angela
só hoje li sua resposta.Mande-me o seu email. aqui vai um abraço de Luanda.
José Gonçalves

Oi Angela
só hoje li sua resposta.Mande-me o seu email. aqui vai um abraço de Luanda.
José Gonçalves

Jose Goncalves

Aqui vai meu email:
macarrascalao@myself.com

abraco,
Maria Angela

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