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sábado, dezembro 02, 2006 

Do cubo de gelo,do gelado e do ice cream

Enquanto não chove, o calor torna-se insuportável e um geladinho cai sempre bem.
Quando eu era bem miúda, não havia gelados como os de hoje. Mas um vendedor munido de um balde de gelo (só me ocorre este nome, para além do “termos” da minha infância), costumava parar ao pé da escola primária e nós deliciávamo-nos com o cubo de gelo cor-de-rosa embrulhado em papel branco. Ninguém se importava com as condições em que era feito e, menos ainda, que nos deixasse os lábios coloridos de rosa provocado pelo corante do gelo… Recordando melhor, acho que, dessa parte, nós, as meninas, gostávamos, porque parecia que tínhamos baton! Era doce, lembro-me bem…
Mais tarde, já nos inícios da década de 60, surgiram os ice cream e, oh!, que fantástica descoberta do ice cream de baunilha, de morango e de chocolate saboreados com a bolacha em cone!
Eram mais caros que os cubinhos de gelo e, às vezes, dava-nos algum trabalho convencer os nossos pais a comprarem-nos tantas vezes quantas nos apetecesse, que é o mesmo que dizer, todos dos dias. Mas, quase sempre, conseguíamos o que queríamos.
Há dias reparei numa nova gelataria. Pequenina, agradável, fresca, limpa e com óptimos gelados. Vários sabores, enriquecidos a gosto com amendoim torrado. Reparei que, em dois reservatórios estranhos onde eram continuamente misturados, lá estavam, de um lado, uma mistura azul, do outro, outra mistura cor-de-rosa. Percebi que eram levemente parecido com os cubos de gelo da minha infância, embora mais sofisticado…
Conheço o João, o dono da gelataria: em 1975 refugiou-se em Portugal ido de Atambua, estudou em Braga, emigrou para a Austrália e, depois da independência, regressou a Timor. E, sofrendo do calor com que nos presenteia o sol inclemente de Timor, deve ter-se lembrado de como os miúdos de todos os tempos gostam de gelados.
Arranjou uma carrinha, preparou-a bem, pintou a preceito um gelado em cone e a ilustrar, as letras da palavra Ice Cream; fizesse sol, chuva ou vento, o João percorria a cidade na sua carrinha e entrava até nos becos dos bairros mais escondidos da cidade, vendendo os gelados de sua invenção. O negócio ia de vento em popa e o João andava satisfeito.
No início, de tão animado que estava, nem dera por isso . Mas, com a rotina implantada, começou a sentir algum desconforto ouvindo tanto choro infantil, acompanhado de lacrimoso “ama, amaaa…”*, pela falta da moedinha mágica para a compra da guloseima.
João resolveu então abrir a sua gelataria. E explica que acabou por desistir da venda de gelados pela cidade porque não resistiu ao pedido das mães das crianças que lhe suplicavam volta e meia no tom quase tão plangente como o das crianças que, “por favor, não passe por aqui, porque os meus filhos, mal o vêem, querem um gelado. Eu mal tenho dinheiro para comprar um molho de legumes para a nossa comida, quanto mais para um gelado! Por favor!”

* Mamã, mamããã…


ola Angela. lembro perfeitamente desses cubos cor de rosa embrulhados em papel branco,eram jovens timorenses que os vendiam pelas ruas desde de manhã ate noite dentro,segundo me parece por conta dos chinas que eram os donos da produção dos ditos cubos de gelo,os de cone não me lembro,mas tambem recordo os amendoins cobertos de açucar que se vendiam pelas ruas.amendoins em tetun (FORE RAI),meu macaco o MAURICIO adorava esses amendoins hahahahha adeus ate amanhã ,luis

Pois o reverso da medalha é sempre muito triste. E para quen vive aí ainda deve ser mais complicado.

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