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segunda-feira, julho 03, 2006 

Notas dispersas

Contaram-me a história. Se ela ilustra, infelizmente, a falta de educação que existe neste país, também ela é prova de que não se apostou e quase nada se ensinou sobre o conceito de educação.
Faço-o com alguma tristeza por ter de reconhecer que, efectivamente, há falta de educação, embora também defenda– sem pretender com isso arranjar desculpas para os desmandos que se verificam – que a isso não são estranhas as circunstâncias em que os timorenses viveram.
A destruição e os incêndios de casas e de terrenos por vingança, por maldade são um fenómeno novo. Não tenho ideia de que assim fosse na minha juventude. São uma herança da ocupação indonésia.
O que leva alguém a incendiar a encosta pedregosa de uma montanha? Aí, não será possível semear nada!
Como reagir quando se ouve alguém afirmar despudoramente: Eh, pá vão lá incendiar o palácio que eles constroem outro! A minha casa é que não!
Há dias, alguém incendiou uns terrenos que haviam sido previamente divididos em lotes para construção e foram depois vendidos a uns quantos populares. Em alguns desses lotes os novos donos tinham já construído as suas casas. Noutros, o material de construção ainda estava amontoado a um canto, porventura à espera de que houvesse dinheiro para o início das obras.
José – vamos chamar-lhe assim –, novo dono de uma dessas casas estava por perto e ainda conseguiu salvar a sua do incêndio que não do assalto! Estranhou que não tivessem levado o mobiliário. Os desordeiros concentraram-se sobretudo nos documentos. Pesquisa rápida, troca de impressões e concluiu-se que o vendedor incendiário pretendia reaver o documento-prova de venda do terreno. Neste caso, os seus intentos saíram-lhe gorados. José, homem avisado, conhecedor das dificuldades nos registos de terrenos, guardara o documento em sítio seguro!
Admitida que está a falta de educação, há que concordar, por outro lado, que quem tem mais educação deve transmiti-la aos que a não têm.
Como se pode dizer a alguém –neste caso, a um timorense - que observe determinado comportamento quando se vêem pessoas do mundo dito civilizado tomarem determinadas atitudes que não se atreveriam ter nos seus países de origem?
Num só dia, assisti a dois episódios de falta de educação. Segui o olhar de um empregado e deparei-me com uma senhora estrangeira sentada com os pés em cima do sofá - os sapatos ficaram no chão - do bar de uma conhecida unidade hoteleira!
Um pouco depois, um senhor transportou pelas escadas a sua bicicleta do andar onde provavelmente era o seu quarto. No rés-do-chão montou-a e percorreu o extenso hall em rápida pedalada até à rua!
O empregado não me poupou e atirou-me de forma algo mordaz: Oh, professora – na altura eu dava aulas de português -, então eles não vêm para nos ensinar?

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AMOR E EDUCAÇÃO
O Amor conquista-nos.
Através dele tudo se consegue pois ele é impregnado de Energia Divina. Ele direcciona as nossas atitudes; ele sustenta as nossas lutas; ele dá sentido à nossa vida. Então o Amor é o elemento fundamental que pode operar autênticas maravilhas quando integrado no nosso dia a dia, em casa, com os que nos pertencem pela linha da consanguinidade, no trabalho, com as nossas obrigações pelos outros que passam também a pertencer a nós e ao nosso universo.
O Amor é o ingrediente principal de que nós vos falamos hoje. Tudo o resto vem por arrasto, por merecimento, por conquista, quando o semeamos à nossa volta. Ele é responsável pelo empenhamento e dedicação que pomos naquilo em que acreditamos.
A educação é um acto de amor quando:
• dá a todos e a cada um a oportunidade de se enriquecer culturalmente, socialmente e moralmente sem nunca perder a sua individualidade;
• promove esse crescimento com a aquisição de competências que levarão cada um a atingir objectivos gerais e específicos propostos pela política educativa do país;
• leva cada um à pesquisa das verdades que o rodeiam e, nessa procura, encontra as leis que o regem, as formas mais simples e complexas de as registar, chegando às conclusões pela investigação e experimentação;
• leva cada um a conhecer-se a si mesmo mas também a reconhecer-se parte de uma sociedade em que todos têm o seu valor – valor esse que se transforma em mais valia quando aplicado ao serviço do grupo de que ele faz já parte – “um ser social”;
• procura agir e interagir no grupo, nunca se esquecendo de si com os outros, sem imposições, sem totalitarismos, sem perda do respeito pelas leis naturais e universais Divinas e também pelas humanas – sem ser permissivo ou limitador das capacidades individuais, promovendo sempre o apreço por cada ser humano sem nunca interferir com a liberdade e o respeito do outro, pelo outro, para o outro – mas também servir sem ser subserviente, sem permitir um autoritarismo de dominação que não respeita a individualidade;
• serve uma comunidade sem servir-se dela. É servir com alegria, reconhecendo as limitações, respeitá-las e saber avançar com os meios que se possui;
• incute hábitos de disciplina que possibilitem existir uma atmosfera que nos deixe pensar, reflectir, questionar em concentração e atenção – ambiente onde todos têm igual oportunidade e se servem do seu livre arbítrio para actuar;
• respeita a mãe natureza, sem abusar dos seus recursos – é ela que nos acolhe no seu seio e não somos nós que a sustentamos.

Educar é uma tarefa difícil mas, como todas as tarefas difíceis, é também um desafio a vencer no progresso e na evolução do ser humano que vê a escola como o lugar privilegiado da sua caminhada.

Cristina Brandão Lavender

Na educação não formal, o comportamento humano e cívico do quotidiano pode sem dúvida ser induzido pelos estrangeiros, os ditos "malaes".

Mas parece-me importante referir o "exemplo" da diáspora timorense, os ditos "malaes timor".

Alguns dos que voltaram a Timor primam pelo orgulho de serem timorenses, misturado com algum ódiozinho ressentido pelos malae ex-colonizadores.

E os irmãos, os irmãos que ficaram e não partiram onde estão?

Estão, estão lá ao fundo diluídos pelo olhar de arrogância, brilhante de satisfação advinda de um ego bem alimentado pela subserviência indiferente e fria dos que ficaram e assim aprenderam.

Polidos na aparência, estão sempre prontos a explodir, a vomitar ódios, ressentimentos e invejas mesquinhas.

São exímios nos "movimentos" de conquista de um espaço de posicionamento na importância da hierarquia da sociedade nova rica timorense.

Num contexto de um país que nada tem é deprimente assisitir ao nascimento de uma pseudo-elite de principios duvidosos.

E o povo, vai-se protegendo nas montanhas dos ódios dos seus próprios irmãos e de vez em quando desce quando sente que "eles" se entendem.

Mas o povo é sábio e tem sempre o seu refúgio secreto e não confia, não confia porque no fundo sabe que são todos iguais.

E o Povo que não tem educação vive do alto da sua sabedoria e vê cá em baixo os ódios, a violência dos seus irmãos educados.

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Muito importante, sem dúvida! Tudo tem que ser tomado em consideração.

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