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quinta-feira, abril 17, 2014 

O Massacre de 17 de Abril de 1999







Aconteceu nos tempos de ódio indonésio, no último período da luta pela independência.

É uma data que apenas é recordada por familiares e amigos. No entanto, no dia 17 de Abril de 1999 – na nossa casa de família, onde então vivia o meu irmão Manuel e demais familiares e onde hoje está sediada a Fundação Oriente - ocorreu um massacre em que pereceram, para além de Manelito Carrascalão, imensos refugiados de que ainda não se conhece (???) o número certo. Mas, se lá em casa estavam pelo menos 120 pessoas, se ainda hoje se desconhece o paradeiro de umas dezenas e, em Maubara, junto à praia, estão sepultados uns tantos em campas rasas construídas pelos familiares das vítimas, ajudados pela Cris, a irmã de Manelito, então é fácil concluir que não foram mortos pelas milícias pró-indonésias apenas os 13 ou 19 de que falava a Indonésia e que houve efectivamente um massacre... 

Muitos foram atirados ao poço situado na parte traseira da casa. Aquele espaço foi recuperado pela Fundação que o transformou num pequeno jardim, lugar de dolorosa reflexão, assim os recordando. Triste lugar!

Nunca consegui perceber o silêncio de tantos, especialmente das entidades oficiais, a este horrível massacre. Porque houve um massacre! E a História, ainda que muitos – sabe-se lá bem porquê! -  pretendam ignorar o seu curso, não se apaga! 


Pelo meu lado, vou hoje, como em todos anos e juntamente com a família e um punhado de amigos, prestar a devida homenagem a quem como, Manelito Carrascalão, foi morto por não concordar com a ocupação e querer a independência. Merecem o nosso respeito e que os recordemos também como mártires ou heróis de Timor-Leste.
Não os esquecerei!