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quarta-feira, junho 21, 2006 

A responsabilidade de Portugal

Sou daqueles que acha que Portugal tem uma dívida a pagar pelo que se passa nas suas ex-colónias. Séculos de colonização incompetente (e encerrada tarde e más horas) não podiam ter gerado senão o que geraram: guerras civis, milhares de mortos, fome, corrupção em doses alucinantes, etc, etc, etc.

Isto aplica-se, evidentemente, a Timor-Leste. Ali, à incompetência juntou-se também uma enorme cobardia (na II Guerra e em 1975). Sempre que uma potência bem armada ameaçou a ilha a primeira coisa que os portugueses pensaram foi em fugir o mais rapidamente que podiam. E se bem o pensaram melhor o fizeram. A história da presença portuguesa em Timor-Leste é, no essencial, a história de uma grande indignidade.


Foi assim na colonização, foi em 1975 e foi nos anos seguintes. A situação só começou a mudar porque, no início da década de 90 (11 de Novembro de 1991), três jornalistas/activistas pró-Timor - Max Stahl, Alan Nairn e Amy Goodman - conseguiram pôr cá fora imagens do massacre de Santa Cruz. Aí, face à comoção global, o Governo português entendeu finalmente que não podia continuar a arrastar os pés na disputa diplomática que "mantinha" (na verdade não mantinha nada) com a Indonésia. Lisboa e o mundo inteiro perceberam então o que meia dúzia de lunáticos vinham a dizer há décadas, perante a indiferença geral: os timorenses não queriam mesmo ser indonésios.


Depois a situação evoluiu como toda a gente sabe que evoluiu. Vieram os prémios Nobel da Paz para Ramos Horta e D.Ximenes Belo. E, no primeiro mandato de António Guterres como primeiro-ministro (1995-1999), o Governo revelou-se capaz de explorar com grande sucesso a fragilidade diplomática internacional do regime ditatorial de Suharto (que caiu em 1998, num dia em que Portugal quase não deu por isso porque, provincianamente, estava muito mais ocupado com a abertura oficial da Expo).


Conseguiu-se – e aqui é devida uma palavra de homenagem à mestria diplomática de Jaime Gama - a realização do referendo de autodeterminação – sendo que também não nos podemos esquecer de várias dezenas de funcionários heróicos das Nações Unidas que levaram a cabo (desarmados, note-se) um acto eleitoral num ambiente tremendamente hostil.


Não direi que Portugal se redimiu de toda a incompetência (e, volto a dizer, cobardia) com que lidou com Timor durante séculos. Mas esteve seguramente pela primeira vez à altura das suas responsabilidades históricas.


Esteve – mas convém que continue a estar. Hoje a evolução política de Timor-Leste chegou onde se já se suspeitava que iria chegar: o Presidente Xanana exigiu a demissão do primeiro-ministro Alkatiri. Ora isto confirma o que o próprio Alkatiri tinha denunciado: está em curso um golpe de Estado contra o primeiro-ministro legitimamente eleito
.

Sei que a atitude mais natural em Portugal será uma grande irritação com a total irresponsabilidade que o corpo político timorense tem revelado. É inevitável que pensemos: se os timorenses se quiserem suicidar enquanto país independente e até economicamente viável então que se suicidem – mas sozinhos, claro, que nós já cá temos, no nosso próprio país, problemas suficientes que nos apoquentem.


Isto é a reacção emocional normal nestas alturas. Só que é uma reacção directamente proporcional à irresponsabilidade dos próprios timorenses (dos seus dirigentes) – não estando portanto à altura da responsabilidades históricas reassumidas por Portugal em toda a acção política que levou ao referendo de 1999 (e respectivas consequências, claro).


Está portanto na altura de o Governo de Portugal se voltar a mostrar responsável. E mostrar-se responsável é, acima de tudo, fazer ver a Xanana Gusmão que o seu braço de ferro com Mari Alkatiri coloca Timor-Leste num clima de pré-guerra civil. Alguém esperará que Alkatiri leve a bem a sua demissão forçada? Alguém estará à espera que não se vingue? Alguém estará à espera que a poderosa Fretilin se deixe ficar sossegada? Alguém duvida que forçar o primeiro-ministro timorense a demitir-se é dar o passo em frente em direcção ao precipício?

João Pedro Henriques (jornalista do PÚBLICO, acompanhou a questão timorense desde 1991 até finais de 1999)

finalmente,,, o epilogo do golpe dos cangurus

Na sua visita a Cuba, em Dezembro de 2005, Mari Alkatiri efectuou acordos de cooperação internacionalista, nas áreas da Saude e Educação, sectores chave para o desenvolvimento humano dos 770 mil habitantes do pequeno protectorado Ocidental - Não tardou muito tempo a reacção - irá pagar caro a ousadia de ter pretendido o bem para o seu povo.

Xanana Gusmão, "presidente desse país amigo", como se lhe referiram os interlocutores cubanos, elogiou então o trabalho que os médicos cubanos ali desenvolvem, assím como expressou a sua "admiração pela Revolução (cubana)" num acto público levado a efeito na recém inaugurada Faculdade de Medicina de Timor Leste.
Que teria levado Xanana a mudar de discurso?
Recorde-se que um dos primeiros casos, após a invasão da "ajuda australiana" foi o arrombamento das casas dos cooperantes cubanos, em busca de armamento escondido, que nunca foi encontrado; quem sai aos seus,,,

É verdade que houve muita indecisão e que ninguém sabia o que fazer...
Mas também é verdade que o, na altura, primeiro Ministro de Portugal, Dr Mário Soares já tinha escrito no livro que publicou pouco antes, que ..."Timor-Leste é, naturalmente, uma província indonésia e não devemos preocuparmo-nos mais com iisso"...

Perfeitamente de acordo com o João Pedro Henriques, é tempo de assumir responsabilidades, de tomar posições publicamente. Por favor, Sr. Presidente da Republica de Portugal, senhor Ministro dos Negocios estrangeiros, façam alguma coisa! Alguém deve ir imediatamente para Timor leste evitar uma gerra civil, embora isso implique correr riscos! Tenhamos coragem! Eu voluntario-me para vos acompanhar. Aqui fica o meu email: juliaalhinho@gmail.com

o periodo que levou à indipendencia das colonias foi um periodo muito contorbado internamente em Portugal, por isso a independencia das suas colonias foi feita de forma tao brusca e desorganizada, talvez se as coisas tivessem sido feitas com calma tudo fosse diferentes( mas Portugal estava em plena revolução)
é verdade que Portugal procedeu mal no passado com as suas colonias. a verdade é que tanto portugal como as suas ex-colonias so teem a ganhar com a paz e o bem estar dos pvos das ex-colonias. Mas as ex-colonias teem de parar de andar sempre a pedir responsabilidades a Portugal cada vez que têm problemas internos e têm de saber assumir os seus erros e crescer.
eu quero muito que Timor consiga ficar em paz e se tornar num estado capaz, mas agora sao independentes e Portugal pode ajudar mas chega de pedir responsabilidades. ja passaram 32 anos da independencia e ainda nos acusam que o seu atraso e guerras civis sao culpa nossa.

Mas porque é que não se fala claro quando tudo é claro?

O Presidente decide impor a demissão do Primeiro-Ministro porque viu um programa de televisão estrangeiro (australiano, sim australiano. Timor ainda não é uma colónia australiana e portanto a Austrália ainda é um pais estrangeiro).

Esse Programa acusa o Primeiro Ministro de algumas irregularidades no recente conflito verificado, e é promovido por uma cadeia de televisão da Austrália, país que viu recentemente algumas dificuldades impostas pelo mesmo Primeiro Ministro de Timor-leste, nas licenças de exploração de petróleo no mar de Timor.

Como é que um Primeiro-Ministro de um país tão pequenino, apesar de ter sido democraticamente eleito por larga maioria, se atreve a fazer frente à maior potência económica da região que está ali mesmo ao lado???

O petróleo hoje em dia domina as questões geo-estratégicas a nível mundial.

Perante os milhares de soldados australianos que estão no território e que defendem e protegem com as suas armas os opositores do Governo, e que estão também eles defendidos com as posições do Presidente Xanana (Homem educado e muito bem tratado pela Austrália) o que é que a GNR Portuguesa ainda está a fazer no território??

Quando os soldados australianos ajudam os manifestantes anti Governo a escrever, em inglês, nos pequenos cartazes que ostentam, frases a pedir a demissão do Primeiro Ministro, que é que a GNR Portuguesa ainda está a fazer no território ?? Já lá não deviam estar.

Teve agora início a 3ª fase da história das ocupações em Timor, a da ocupação Australiana. Uma ocupação lícita porque tem o aval do Presidente da República, o homem que todos respeitam.

Ricardo.

nem + ricardo.

Tambem sou daqueles que acha que Portugal tem sérias responsabilidades nas suas descolonizações e que tem a obrigação de se preocupar em ajudar sempre que possível. Nunca impondo mas sempre em parceria com essas excolonias. Não concordo é com a sua visão que o caminho escolhido pelo presidente leve inevitavelmente à guerra civil. Só levará se os timorentes e os seus dirigentes o quiserem.

O que mais dói é a gente ter de olhar para Xanana Gusmão como algo de demasiado excepcional em Timor! Tanta auto-destruição não se entende e talvez revele a falta de ligação dos políticos aos cidadãos que, assim, cedem à irracionalidade do imediato, da intolerância e não hesitam na guerra fratricida!

Eu concordo que Portugal tem responsabilidades no que se passa nas suas ex-colónias, mas já não posso admitir que se diga que apenas nas ex colónias Portuguesas é que tudo está mal. Até parece que que o Congo, Somália, Etiópia, Libéria e tantos outros países africanos, para não falar em países da América do Sul, também foram colónias Portuguesas. E então a França, Espanha, Holanda, Inglaterra não foram países colonialistas? E nas ex-colónias destes países, não há fome? Não há guerra?
Timor Leste está a ser vitima da ganância dos países vizinhos e dos próprios políticos Timorenses.

Estou de acordo que Portugal, não se preocupou com Timor enquanto este foi uma provincia ultramarina. Eu que estive em Timor quando escassos soldados portugueses, lá estavam (cerca de 1000)fiquei chocado com o abandono de Ailéu ou Maubisse com a pobresa e efalta de infra-estruturas. Chegou-me uma vez às mãos por acaso um relatório sobre as causas da invasão japonesa:
Portugal era então um país neutro, não só na Europa mas também no oriente. Por razões estratégicas os australianos invadiram Timor pela costa sul provocando a reacção japonesa os japoneses com a sua politica "Ásia para os asiaticos" criaram grupos chamados as colunas negras que chacinaram grande parte de colonos portugueses e povo timorense depois da derrota do Japão Portugal mandou para Timor tropas oriundas de Moçambique ( os landis). Timor caíu de novo no marasmo dos seus Leorais e dos pocos degredados vindos da Europa, o número de soldados europeus era muito reduzido, um par de familías tinha o negócio do café e das madeiras e o pequeno comercio estava nas mãos de chineses ( a maioria cantoneses). Depois de 1960 Portugal mandou tropas par Timor que eram apoiadas por contigentes de segunda linha destas tropas timorenses os oficiais eram simultaneamente Leorais.
Em 1974,já eu tinha regressado à metropole, com a retirada em debalda de Portugal do Ultramar, contra os avisos de Sukarno que a Indonesia não tolerava que o vacum deixado por Portugal fosse ocupado por forças comunistas, e dum começo de guerra civil entre timorenses, deu-se a invasão indonésia, com o conluio dos USA e Australia, se bem que os australianos tivessem conhecimento do petróleo timorense desde 1960, os poucos soldados portugueses foram aprisionados.
O que se passa em Timor actual mente é uma guerra de interesses e de ideologias o que é obsceno quando uma "nona" ganha mais que um habitante de Hato-bulico, quando um quarto num hotel em Dili custa 150$ por noite. Dizer que Portugal teve culpa nesta situação é uma meia verdade. Recentemente fizemos muito por Timor e não há muito quando os primeiros Guardas Republicanos dormiam em tendas os Alemães e outros europeus que íam em ajuda de Timor ficaram em Darwin em bons hoteis desprezando a miséria das montanhas !

Acho melhor o Mari demite-se. Pronto ja demitiu, e agora esta a organizar alias esta a forcar a populacao para o suportar na manifestacao que o proprio Mari e Lu-Olo arganizam.
Que grande vergonha estes lideres da FRETILIN. Se fosse eu, suicidava-me.porque ja perdia a confianca e nao tinha coragem para ver este povo a gritarem em mim ou ate cuspirassem em mim.
Viva Presidente da RDTL.

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