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quinta-feira, junho 01, 2006 

Mari Alkatiri recusa ideia de um confronto étnico em Timor e aponta o dedo acusador a interesses estrangeiros

No dia em que remodelou o seu Governo, Mari Alkatiri deu uma entrevista conjunta os enviados a Timor do PÚBLICO, Adelino Gomes, e do jornal espanhol El Pais, Miguel Mora, que será publicada nas edições de amanhã destes dois diários. Ideias fortes: O primeiro-ministro timorense recusa a ideia de um confronto étnico em Timor. Aponta, antes, o dedo acusador a “interesses estrangeiros”. Revela que chegou a andar com seguranças desarmados, em Díli. Diz que a presença da GNR no país fará o povo “reganhar” a confiança. Mas acha que o pior ainda está para vir.

Mari Alkatiri vem sempre com a mesma lenga-lenga dos interesses estrangeiros...
Que tal ele olhar para o seu povo e ver o descontentamento que nele reina?

É evidente que as autoridades australianas ao acusarem o governo timorense de incompetente, pretendem que Timor se transforme num protectorado e sendo claro a Austrália o tutor, ficando assim a controlar todo o petróleo sem terem de discutir com os timorenses, porque são, para eles uns incompetentes e dando só umas migalhas do bolo para calarem a boca, como já fizeram com a Papua Nova-Guiné. Só quem passou por Timor (fui lá em 2000 fazer uma reportagem para a televisão belga)é
que sabe realmente o peso linguístico, político e económico da Austrália em Timor, ainda por cima a grande potência regional e também o eldorado mais próximo, a par das mentalidades talvez ainda muito submissas dos timorenses,formados anos a fio pelos indonésios, o que torna este país muito vulnerável e difícil de governar.

Passei 3 anos em Timor a trabalhar na Universidade Nacional. Já era defensor da Causa de um Timor independente há muitos anos atrás, ainda no primeiro ano de Universidade e, por isso, pude lidar com vários timorenses e ir aprofundando algum conhecimento dos diversos contextos timorenses. Não quero com isto auto outorgar-me certezas no que diz respeito à situação que se vive em Timor, até porque quanto mais se vive a questão timorense, a sua cultura, mais envoltos em mistério e até misticismo fica a nossa percepção. Não é fácil, de facto, perceber as coisas no que toca a Timor e aos timorenses.
Podemos ter as nossas opiniões sobre Mari e perceber - não é difícil - que há descontentamento, que pode ter havido discriminação dos que não são da Fretilin ou das famílias do círculo de poder (poderes), institucional ou tradicional, enfim, que há muitos e diversos motivos de conflitualidade num Estado recém criado num contexto que todos conhecem, nada fácil.
O problema, que claramente está a ser explorado por forças exteriores, é com Mari. A questão étnica, loromonu vs. lorosae é aqui um pretexto, que ganhou corpo num tempo recente (FDTL) e que o governo e demais instituições não conseguiram ou não quiseram debelar a tempo. A gestão destes problemas mereceria uma atenção mais cuidada do governo, menos ocidental, menos formal/burocrática, mais sensível, diplomática, ao bom jeito timorense. Com respeito por todas as opiniões. Já dizia o Prof. Almeida Serra que aquela história do "the winner takes it all" não funciona em Timor, de maneira nenhuma, pelo que o partido de poder devia conhecer o seu povo melhor. Impõe-se alguma humildade na gestão da coisa.
O que me parece já demasidado evidente - aliás, sempre o foi para quem tinha que lidar com as questões da Educação e da Língua! -, é a comichão que Mari faz aos autralianos! Não vale a pena tapar o sol com a peneira. O Reinaldo, que não é Reinado, para fazer o que está a fazer tem boa cobertura - está nos manuais! A externa percebeu-se já bem de onde vem. A interna vai aparecendo, ainda que mais subtilmente.
O pior disto tudo é aquela gente que até aqui não via diferença nenhuma entre lorosae e loromonu e agora tem medo de sair à rua, porque nunca sabe de onde pode aparecer um tipo com uma catana a querer vingar-se! Mais um problema para Timor! Repito: mais um problema para Timor!
Ângelo Eduardo Ferreira

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