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quarta-feira, junho 07, 2006 

Diálogo sim, investigação internacional também

Os quatro oficiais que desafiaram a hierarquia militar em Timor-Leste aceitam o princípio de um diálogo alargado, para pôr termo à crise nas Forças de Defesa de Timor-Leste, mas essa possibilidade “não invalida” uma investigação internacional sobre quem deu ordens de fogo, na manifestação de 28 de Abril e nos disparos sobre polícias desarmados em 25 de Maio, assim como sobre quem ordenou a distribuição de armas à população, disse o Ministro da Defesa, José Ramos-Horta, ao PÚBLICO.
O diálogo contará com a presença da Igreja católica e da sociedade civil e pode assumir o formato de um encontro durante dois ou três dias, possivelmente em Dare, reafirmou o mesmo responsável (ver PÚBLICO de dia 3), notando que as únicas “complicações” para a sua concretização são de ordem logística e de agenda. O diálogo alargado deverá ser precedido, porém, de encontros “mais limitados” entre alguns dos oficiais e o Presidente da República, Xanana Gusmão, precisou.
“O importante é que todos aceitam ser pacientes”, disse o ministro timorense, após um encontro, ontem, com o major Gastão Reinaldo, antigo comandante da Polícia Militar, que abandonou as FDTL com alguns dos seus homens, e se encontra actualmente na região de Maubisse.
José Ramos-Horta fazia o balanço dos contactos que estabeleceu, desde domingo, quer com as unidades do Exército que se mantêm na cadeia de comando, ainda que aquarteladas (em Baucau, Metinaro, Hera e Taci-tolo), quer com os oficiais que dela se desligaram e exigem agora a demissão do primeiro-ministro, Mari Alkatiri.
Destes últimos, falta apenas a Horta avistar-se com o tenente Salsinha, líder dos chamados peticionários, um grupo de quase 600 soldados que abandonaram o Exército queixando-se de discriminações de carácter étnico.
Embora não haja ainda data marcada para este último encontro o ministro timorense mostra-se optimista, dizendo que ontem mesmo falou com o líder dos peticionários, ao telefone, num diálogo que classificou de “caloroso”. Texto de Adelino Gomes, em Díli, publicado na edição do PÚBLICO de 7 de Junho de 2006